AS ORDENAÇÕES HUMANAS X MINISTÉRIO CONCEDIDO POR CRISTO

Por Daniel Santos

"Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar" (1 Timóteo 3:1,2)

Os adultos que tiveram a oportunidade de "virar o século" (XX-XXI) e de terem presenciado o avanço tecnológico, especificamente, no meio eletrônico e digital, perceberam o quanto a enxurrada de informação impactou o mundo religioso evangélico. Muita coisa mudou, parte dos valores tradicionais se perderam e novos fenômenos passaram a ser objetos de discussão.

Um dos aspectos desse avanço foi o despertamento que ocorreu nas instituições religiosas ("igrejas evangélicas") que possuem dono. Quem já prestou, ou ainda presta serviços nelas sabe que esses movimentos são frutos de igrejas tradicionais, que por algum motivo estavam passando por dificuldades (normal), e um indivíduo influente, aproveitou o momento para montar o seu grupo. E com o despertar do avanço digital (redes sociais), esses movimentos se sentem ameaçados. Esses "desbravadores" (saídos da igreja mãe) se estabelecem através de acordos financeiros, alianças políticas e da mão de obra da grande massa. Não são todos, mas muitos grupos aproveitam as experiências espirituais desses "fiéis" e as associam aos seus templos, ou seja, o neófito passa, portanto, a sacralizar o ambiente, e desvia o seu olhar da graça. Já imaginou, se Moisés tivesse feito da sarça, a boca de Deus na terra ou até mesmo, se Gideão olhasse para o "Vêlo de Lã", como se fosse o seu eterno mediador?

Os chamados donos de religião têm umas táticas, extremamente, funcionais, para atrair e segurar os seus fiéis. A sua maioria:

- são apocalipsistas - o pavor acovarda.

- são místicos - as objeções vulnerabilizam o poder.

- e exige sacrifícios - de um jeito ou de outro, os anseios dos súditos são atendidos.

Lembrando que nesses espaços, você nunca ouvirá um dom espiritual ou uma advertência corrigindo o dono. A sua perfeição é um grande mistério.

Feita essa pequena abordagem do surgimento e das estratégias dos donos de religião, vamos refletir um pouco acerca dos seus resultados. O texto bíblico denuncia diretamente e ilegitimidade ministerial que move essas "igrejas-negócio". Negócio?

Sim, os responsáveis (pastores) pelas filiais espalhadas na federação e no mundo, não precisam dos requisitos bíblicos para atuar; desprezam a família, os deveres civis, as escrituras e ainda exploram a comunidade local, justificando o seu zelo pelo deus do dono. Um simples juramento junto ao "proprietário" já é suficiente para galgar as mais altas posições e gozar dos benefícios escatológicos conferidos. A lavagem cerebral é tão bem feita, que a massa acha normal "pastores" abastados pregarem o amor de Cristo às ovelhas famintas. Pobres ovelhas que não têm, nem mesmo, o básico para sobreviver. Conheço barões-pastores, por exemplo, que se gabam por estarem, voluntariamente, prestando serviços cúlticos à uma comunidade. Eles esqueceram que esse dualismo (vida cristã & vida secular) pertence ao paganismo grego, ou seja, não se separa, é holístico. O pastor não tem um ministério, mas é, por essência e por excelência, um ministro de Cristo. No ministério bíblico não há lugar para a avareza, ostentação e tão pouco, modelos de vida fácil. O que passa do necessário, é em "potência" (vide-Aristóteles), dirigido aos que perecem! Vamos mergulhar no texto bíblico?

Paulo tece alguns requisitos básicos para quem aspira (ρέγω - orégomai) a tal posição. O homem que aspira é um exímio "esticador de pescoço" (alguém que se prepara assiduamente). O aspirante é, por natureza,:

Irrepreensível (νεπίληπτος - anepilémptos), que nunca é pego no erro ou errando.

Marido de uma mulher (γυνή, αικός, - goo-nay), ter uma esposa, somente.

Vigilante (σώφρων, ον - sóphrón), equilibrado em todos os aspectos.

Honesto (κόσμιος, ία, ον - kosmios), ordenado, decente, modesto.

Hospitaleiro (φιλόξενος, ον - philoxenos), generoso com os hóspedes.

Apto para ensinar (διδακτικός - didaktikos), virtude que torna alguém ensinável.

Ufa! Temos uma leve impressão de que,  dificilmente, encontraremos tais requisitos em um homem pós-moderno. Claro que Paulo não exigiu mais do que o básico, algo impossível. Estamos cientes que a dificuldade reside na nossa má interpretação dos dias atuais em comparação à solidez doutrinária que a bíblia espera. Talvez isso responda o faz de conta que vivenciamos no nosso contexto, tempos de dissolução teológica.

Diante dessa breve reflexão, esperemos que possamos ter mais cautela quanto a ascensão exacerbada de ministros. Não são as honrarias indevidas que irão salvar uma comunidade de fé e não é a operação tapa-buraco que fará a igreja crescer. Mas a pregação do evangelho puro, o preparo de convertidos legítimos e um trabalho missional saudável.

Que Deus nos abençoe!

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