A QUEDA DO HOMEM E AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

Por Daniel Santos


Como consequência do pecado, o ser humano passou a ser considerado culpado diante de Deus e entrou no estado de corrupção (teologicamente conhecido como Depravação Total). Não se trata, neste caso, de um sentimento de culpa, algo abstrato, que atua em nós quando pecamos, mas aqui, segundo Heber C. de Campos (2013, p. 166): “o estado no qual se merece a condenação ou no qual se sente merecer o castigo pela violação da lei ou de qualquer exigência moral”.

Fonte: BITUN, Ricardo. Teologia, história e prática pentecostal. UniCesumar. Maringá – 2018.

Realmente, a culpa, a condenação e o castigo são palavras duras, mas são elas que têm dado sequência ao nosso ato de queda.

Os efeitos do pecado atingem, negativamente, todos os aspectos da vida do homem. A própria escritura nos adianta alguns desses juízos.

16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. 17 E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. 18 Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. 19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. (NVI, 3:16-19).

Os juízos preliminares provocaram danos físicos (dor e sofrimento); sociais (conceição); comportamentais (subserviência); naturais (terra amaldiçoada) e psicológicos (noção da própria morte). No distanciamento do seu Criador, a criatura inaugura dentro de si a desobediência sistêmica e a insensibilidade no que tange o amor dispensado por Deus.

Embora o pecado seja a quebra de uma lei divina, antes disso é a quebra de um relacionamento divino-humano. Deus dá ao homem um mundo lindo e quer andar em comunhão com sua criatura humana. Mas o homem, desobediente ao Criador, ataca o próprio coração desse relacionamento, buscando orgulhosamente ainda mais. Uma vez que o pecado é acima de tudo contra o amor e a bondade de um Deus santo, é ainda mais hediondo, e a culpa, ainda mais profunda. (RODMAN, 2011, p. 218).

Apesar dos cuidados que Deus tem prestado a favor da sua criatura, ela, por conta de sua natureza, responde como se nada de Santo existisse. Lembrando que não são as práticas que qualificam a criatura, mas é a essência do indivíduo que é a responsável pelos maus atos. Talvez seja esse o mais terrível efeito do pecado, a agressão à "imago Dei".

Portanto, o pecado é hereditário. A sua universalidade deve-se à corrupção da natureza humana. E a Palavra de Deus afirma que o primeiro homem violou a vontade expressa de Deus, e, por consequência, toda a vida humana se corrompeu. Inevitavelmente, quando o homem se depara com a idade da consciência moral, está tão identificado com os maus impulsos existentes dentro de si que precisará esforçar-se para manter o equilíbrio moral e espiritual de sua vida. Não se trata meramente de um impulso momentâneo da sua vontade, mas é algo implícito na sua natureza pecaminosa, que é sinistro e obscuro. A tendência má que se revela numa criança se percebe na semente dessa tendência má. Nesse sentido, toda criança é pecadora, conquanto não tenha culpa pessoal. Não podemos cobrar responsabilidade pessoal de uma criança recém-nascida (GILBERTO "et al.", 2008, p.319).

É diante de tais condições que Deus tem encontrado o homem, caído em todos os aspectos. Se há como mensurar a graça de Deus, o método mais próximo a isso, é medir, biblicamente, a intensidade e a profundidade da nossa pecaminosidade.



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