JABEZ, A ORAÇÃO QUE DEUS OUVE

Por Daniel Santos



Jabez orou ao Deus de Israel: "Ah, abençoa-me e aumenta as minhas terras! Que a tua mão esteja comigo, guardando-me de males e livrando-me de dores". E Deus atendeu ao seu pedido (1 Crônicas 4:10 - NVI).


Se o cronista interrompeu o seu trabalho genealógico para destacar uma personagem, é sinal de que ela é muito importante. Assim como os textos homéricos apresentam algumas figuras míticas, a fim de nos aplicar modelos de bons e maus comportamentos, os narradores bíblicos se valeram de figuras históricas, para que absorvamos os bons e sacros princípios. O nome Jabez (יַעְבֵּ֔ץ - Ya'ãbes) veio à tona por conta de uma conceição desconfortável (?). Apesar do carimbo triste e dorido, dado por sua mãe, a postura de Jabez despertou, no cronista, o interesse de abrir um parêntese em sua extensa lista. 


Primeiramente, o texto nos informa que Jabez orou a Deus; a expressão לָאוֹר֙ usada pelo narrador foi a mesma de Gênesis 3.9, ela evoca a ideia de chamar alguém para que esse se apresente. Com isso aprendemos a buscar a excelência em nossas orações. Embora Jabez tenha vivido séculos antes de Jesus, a invocação a Deus exigiu que a natureza cristológica tomasse, não somente, a vida dele, mas a de todos os que antecederam o Verbo encarnado. Todos aqueles que, de alguma forma, buscaram a presença de Deus, provaram a essência de Cristo. Dele emana o amor à justiça, a dependência paterna, o compromisso com os céus, a obediência a qualquer custo, a sede do Eterno, entre outros atributos. A distância de Deus, provocada pelo nosso pecado, foi corrigida completamente por Cristo. Portanto, nEle temos paz com Deus e a sua natureza passa a compor a nova criatura (2 Cor: 5.17).


Há quem diga que o mais importante nessa oração são as condições do personagem,  respondidas integralmente. Penso eu, que o motivo consiste na sinceridade, sensibilidade e na dependência que ela demonstrou com relação ao Deus Abençoador. O texto diz: "Ah, abençoe-me e [...]". Quando eu peço a Deus uma benção terrena e a submeto à benção espiritual, esse bem me satisfaz. Por mais ínfimos que sejam os bens que dispomos, encontramos prazer neles. A benção sem o Senhor da benção não satisfaz. É normal vermos pessoas reclamando das respostas demoradas; não levam em consideração o preparo que precisam ter para recebê-las. Platão nos desperta com um raciocínio bastante pertinente; disse ele:

De modo que, nem que tivéssemos a ciência de fazer, das pedras, pedras de ouro, tal ciência não seria de nenhum valor. Se, com efeito, não tivermos também uma ciência de como usar o ouro, ele pareceu ser de nenhum proveito (Platão, Timeu, 83). 

Do mesmo modo, Deus trabalha as suas bênçãos em nossas necessidades. Que proveito teremos no manejo débil? Ninguém põe água limpa em vaso trincado, empoeirado ou sem tampa. Esse princípio nos ajuda a entender o motivo pelo qual as bênçãos demoram tanto. Quanto mais ansiosos, mais despreparados estamos para lidar com as dádivas do Eterno. 

A perseverança em Deus é um outro aspecto marcante na oração de Jabez. Ele confia piamente nas mãos do Senhor; porque esperar a segurança proveniente das mãos de Deus é o mesmo que confessar aos céus a sua debilidade quanto à preservação das bênçãos. Esse fiel entendeu, com apuro, a sua posição no que concerne a relação "Abençoador-benção-abençoado''. 

Por todos esses aspectos, cabe a nós, observadores dos oráculos eternos, levar em consideração o exemplo de Jabez. Clamemos a Deus, a fim de que Ele se manifeste; isto é, não oremos a Deus como se Ele estivesse distante. Que possamos relacionar a necessidade, o pedido, o preparo para lidar com o que se pede e a preservação do que foi dado por Deus. 



Tecnologia do Blogger.